O Brasil brinca de detetive
Na noite de 29 de Março de 2008, por volta das 23:30, morre uma criança, Isabella Nardoni, arremessada do seu quarto no 6º andar de um prédio na cidade de São Paulo.
Este seria mais um caso corriqueiro de uma morte em São Paulo não fossem alguns fatores, tais como, circunstâncias de como o crime aconteceu, envolvimento da imprensa, e, principalmente, da opinião pública.
Em menos de 1 mês, nós vemos o Brasil inteiro, desde familiares, autoridades policiais, imprensa, e acima de tudo, milhares de pessoas que sequer conhecem ou conheceram a família de Isabella tentando decifrar este grande mistério: “Quem matou Isabella?“.
A cada dia surgem novas pistas, novos relatos, novas testemunhas, e ainda estamos longe de ver um final nesta novela.
Todo este caso mastigado, moído e triturado pela imprensa sensacionalista, que busca no sofrimento de uma família totalmente fragilizada pelos recentes acontecimentos, aumentar ainda mais a audiência, mais está me parecendo um roteiro daquele famoso jogo Detetive.
No jogo em questão, um número de jogadores deve percorrer todo o tabuleiro que retrata uma casa, para desvendar um crime. O objetivo? Descobrir o assassino, a arma e o local do crime.
Ganha quem primeiro desvendar o conteúdo que fica no envelope, no centro do tabuleiro.
É exatamente isso que o Brasil está vivenciando no momento: um gigantesco jogo de Detetive que tem como local do crime o quarto de Isabella, cujo assassino permanece anônimo.
Em uma nação que assiste programas do estilo do Big Brother Brasil em que muitos se sentem como se estivessem dentro da casa, é mais do que natural que tantas pessoas acabem, pelo sensacionalismo da imprensa, formando as suas opiniões baseadas em notícias manipuladas a bel prazer para escolher o culpado da história.
Assim como diz o promotor do caso: “Não descarto nenhuma hipótese”. Pode até ser que o pai e a madrasta, de fato, tenham culpa no cartório, mas com toda certeza suas memórias ficarão, para sempre, manchadas por todo esse assédio da imprensa, masmo que sejam declarados inocentes.
Vamos ficar no aguardo do desfecho, e descobrir o conteúdo do envelope no centro do tabuleiro.
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